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Por que o Brasil não cresce?

Por que o Brasil não cresce?

 

            Basicamente porque não interessa aos grandes especuladores, que efetivamente governam este país, qualquer fator desestabilizador dos cálculos de sua imensa lucratividade. A elite para a qual Lula governa considera hilariantes os discursos do presidente e seus intelectuais venais “contra a elite”.

            Desde sempre os gendarmes locais, defensores entusiásticos da ordem imperial externa, concentram parcelas consideráveis de poder e conforto para fazer precisamente o contrário do interesse da maioria das pessoas com quem se relacionam diretamente. Foi assim durante a escravidão (para nos atermos somente ao caso brasileiro dos últimos 506 anos), quando os senhores de engenho brasileiros mantiveram uma estreita articulação com a metrópole portuguesa por um lado e, por outro, incumbiram-se de deixar a massa, a plebe ignara, sob controle. O mesmo ocorre no período republicano – com a transmissão dos interesses metropolitanos, na prática, de Portugal para a Inglaterra e, após a I Guerra Mundial, com a transferência dos interesses da Inglaterra para os EUA. De raro em raro surgiu na história um ou outro líder efetivamente disposto a fazer face aos grandes interesses metropolitanos. O jogo de poder entre os interesses metropolitanos em aliança com seus gendarmes locais em confronto com os independentistas determinou um final trágico que perpassa, aí, desde Tiradentes até João Goulart, em variadas modulações.

            Na eleição passada, Lula da Silva prometia um crescimento da economia nacional da ordem de 5% ao ano. Dizia “o nome de meu segundo mandato será desenvolvimento”. Peça de propaganda eleitoral, eficiente como a bolsa-esmola e outros mecanismos voltados a manter precisamente tudo como está.

Ocorre que o crescimento é incompatível com os interesses do capital especulativo – as elites para as quais Lula governa e contra as quais, naturalmente, tem de discursar.

Ora bolas! Perguntar a Delfim Neto, Henrique Meirelles e outros venais a serviço do grande capital especulativo “o que fazer para crescer” é de uma estupidez infinita. Os conselheiros de Lula não querem nem podem permitir qualquer idéia original que efetivamente coloque o Brasil novamente na trilha do crescimento.

Uma peça de propaganda que corre o risco de “pegar” é esta que tenta transferir a responsabilidade pela ausência do crescimento a toda a sociedade. Quando se diz que “ninguém sabe o que fazer para o Brasil crescer” está se proferindo uma meia-verdade ou completa mentira: ninguém na equipe de conselheiros escolhidos entre as elites venais de sempre, apresenta qualquer idéia diferente, suas idéias são as mesmas praticamente desde que as frotas de Cabral aqui aportaram: lucrar o máximo pessoalmente, mandando o grosso do lucro para a metrópole (que somente se deslocou) e a chamada “opinião pública” sob controle da máquina de propaganda.

O que fazer para o Brasil crescer qualquer pessoa honesta sabe: parar com a roubalheira e transferência de renda dos trabalhadores para os especuladores e fazer um planejamento sério que permita juntar as duas pontas: essa enormidade de trabalho a fazer (ruas, praças, estradas a manter, construções a levar a cabo, como moradias, escolas e hospitais, etc.) com a enorme quantidade de pessoas desejosas de trabalhar e valorizando o trabalho de gente que labora debaixo de péssimas condições salariais e outras. Imaginar que um dos conselheiros da elite dos especuladores que Lula da Silva escuta diria estas coisas a ele é delírio.

 

 

Uma “esquerda” esquisita

 

Da maneira que o lulo-petismo dividiu tarefas e atividades, o crescimento está mesmo inviabilizado: os trabalhadores participam na hora de votar em Lula da Silva, receber migalhas e defender o desgoverno ao longo do exercício de suas atividades. Os especuladores efetivamente governam. A estes últimos, a elite que o lulo-petismo mantém no poder, não interessa o crescimento. Isso traria verdadeira redistribuição de rendas e acrescentaria um fator de instabilidade aos cálculos da lucratividade com a especulação.

Embora o jogo de poder esteja em fase de definição nos próximos momentos, o resultado é mais ou menos previsível. Se Lula da Silva se decidir a romper com o capital especulativo – pouco provável, convenhamos... – o Brasil tem alguma chance de crescer. Dentro dos marcos rígidos aos quais se curvou, as chances de crescimento neste segundo mandato são de irrisórias a inexistentes.



Escrito por Lázaro Chaves às 09h59
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